17 de mai. de 2009

Para um amigo


Num remoto vilarejo de Itabiracity vivia um mentecapto. Não se sabe ao certo o seu nome, mas como Pedro o trataremos. Uma pluralidade de cores, sabores e formas.
A lenda conta a história de um garoto “arco-íris”, que possuía um lampejo de ínfimo brilho, como um diamante rosa. Quando o sol se punha ele batia palmas, e, à noite, saia pela pacata cidade executando peripécias. O estranho é que por onde ele passava, um pequeno arco-íris ficava; o ar tornava-se esfumaçado e expelia sabores estranhos.
Se ele sentia-se livre, um verde era facilmente visualizado e um sabor refrescante, quase hortelã era percebido. Às vezes o cheiro da liberdade de Pedro era tão forte que as narinas de quem passava ardiam pela substância expelida. Um lilás também era percebido depois de umas e outras. Ele se soltava e um gosto adocicado, um cheiro de pipoca, uma leveza penetrava em todos aqueles que respiravam o mesmo ar que Pedro. Ele nunca passava despercebido. Seu rosto assimétrico expressava exageradas formas de sentir. Era azul durante o dia, alaranjado ao pôr-do-sol e vermelho à noite. Às vezes se realçava com uma luz branca incandescente. Era bege quando magoado, trazia sabores salgados, não tão ruins, como se mínimas partículas de lágrimas se dissipassem no ar. Era roxo quando estressado e cor-de-rosa à todo momento. “Branquinho” pra uns, “Nego” pra outros.
Conta a lenda que ele nunca deixou de ser menino; e que à noite ainda podemos sentir cheiros, observar cores, perceber sabores e formas esfumaçadas em Itabiracity.

Por: Ludimila Machado Tôrres

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