
Após o cumprimento de nove meses de reclusão em regime fechado, num minúsculo e abafado envelope de papel pardo; sem direito a banho de sol ou refeições diárias o inocente fora levado, ainda preso, à sala do delegado.
Via o sol nascer quadrado por uma janelinha de dois centímetros quadrados. Passou frio, enfrentou sozinho dias de calor intenso... Nunca possuíra o direito de visitas semanais, mas era estimado e de família. O pobre era sempre lembrado com lástima e impotência pela mulher que tantos anos o guardara. Mulher que, neste dia rompeu duas horas burocráticas e frustrantes para conseguir vê-lo.
O fitava com piedade através da minúscula janela, pois o preso deveria ser fotografado antes de qualquer ação. Finalmente o inocente foi solto sem nenhum direito a indenização. O reencontro com a Mulher foi emocionante; o pequeno e franzino lhe enchera os olhos. Ela deu-lhe um grande abraço e o pegou no colo:
- Coitadinho do meu neném, gente. Agora tudo vai ficar bem, viu. Pra cadeia você não volta mais.
E de tão contente, nem comentou o fato do assaltante da sua bolsa estar solto e o canivete seqüestrado dentro dela e por sorte, resgatado; ter sido apreendido pela policia como prova durante nove meses.
O delegado não escondia tamanha vergonha pela incompetência; mas a mulher não deu atenção. Tratou de tirar o traumatizado canivete que há tempos ganhara de seu pai daquele lugar. Mas nunca mais o pequenino fora o mesmo...
Ludimila 14/09/06
Via o sol nascer quadrado por uma janelinha de dois centímetros quadrados. Passou frio, enfrentou sozinho dias de calor intenso... Nunca possuíra o direito de visitas semanais, mas era estimado e de família. O pobre era sempre lembrado com lástima e impotência pela mulher que tantos anos o guardara. Mulher que, neste dia rompeu duas horas burocráticas e frustrantes para conseguir vê-lo.
O fitava com piedade através da minúscula janela, pois o preso deveria ser fotografado antes de qualquer ação. Finalmente o inocente foi solto sem nenhum direito a indenização. O reencontro com a Mulher foi emocionante; o pequeno e franzino lhe enchera os olhos. Ela deu-lhe um grande abraço e o pegou no colo:
- Coitadinho do meu neném, gente. Agora tudo vai ficar bem, viu. Pra cadeia você não volta mais.
E de tão contente, nem comentou o fato do assaltante da sua bolsa estar solto e o canivete seqüestrado dentro dela e por sorte, resgatado; ter sido apreendido pela policia como prova durante nove meses.
O delegado não escondia tamanha vergonha pela incompetência; mas a mulher não deu atenção. Tratou de tirar o traumatizado canivete que há tempos ganhara de seu pai daquele lugar. Mas nunca mais o pequenino fora o mesmo...
Ludimila 14/09/06

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